sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Eu ia começar contando um pouco da minha vida, desde as lembranças mais remotas até os dias de hoje, porém uma situação que eu presenciei no domingo fez-me mudar de ideia.

Trabalho em um quiosque onde minha gerente não tem papa na língua, é aquele tipo de pessoa que 'não leva desaforo pra casa'...
Eu gosto e admiro pessoas assim, mas o que aconteceu com ela ajuda-nos a refletir realmente sobre nossas ações e no que realmente vale à pena...

Trabalhar em comércio é um pouco complicado, principalmente quando se tem um temperamento 'forte', lidamos com pessoas educadas, mal-educadas, ignorantes, simpáticas, enfim com todos os tipos de pessoa, inclusive aqueles espertinhos que 'esquecem' de pagar a conta.

Chegou um casal de amigos para fazer um lanche, eram clientes que já eram observados por serem um pouco abusados. Minha gerente já incomodada com a situação de ser passada para trás por eles começou a soltar piadas, fez insinuações, xingar, mil coisas, enquanto o rapaz ia pegar o lanche.
Ele sentou-se com o lanche mas a discussão não sessou. Entre palavrões e acusações ela foi até a mesa dele, para proibir-lhe de voltar ali, percebendo seu intento, o rapaz jogou o lanche no chão...
E daí da pra imaginar como termina a estória. Ele se levanta enraivecido e parte pra cima dela com um soco...
Atracando-se na rua, voava garrafa, funcionárias nervosas, chorando e tremendo, curiosos aglomerando-se... Eu sinceramente, tremia, não sabia o que fazer, não gosto de brigas, por instinto saí do quiosque e fui para perto, só que minha covardia não permitiu-me fazer nada...
Por sorte o marido da minha gerente estava chegando e ela gritou-lhe o nome. Sem demora ele agarrou o rapaz por trás e caíram no chão. Rolaram, socaram-se até que vieram separar...

Separaram a briga, mas todos ainda estavam nervosos, chorosos, ninguém conseguia mais trabalhar, o estômago embrulhado, todos comentavam o ocorrido...
Eu boba, sentindo-me impotente e ao mesmo tempo confortada por não ser algo que me fosse de respeito,  não conseguia pronunciar nenhuma palavra, não sabia como confortar minha amiga que estava chorando e tremendo... e justamente por isso imaginei que o melhor que eu poderia era trabalhar
Eu já estava parando de tremer e de frente para chapa brigava com algumas lágrimas fujonas que desciam teimosamente...

Sabe? O que eu vi ali foi o ego falando mais alto do que a consciência, o orgulho ferido de não ter sido respeitado. Eu olhei pra mim, aquilo também era um pouco de mim.
Vendo as consequências daquele cenário pude ver neles o que está errado em mim. Sim, isso mesmo, muitas vezes eu agi assim, mas depois o arrependimento trazia consigo amargura e infelicidade. E eu não quero mais isso. Não a critico, muito pelo contrário, a admiro-a por ter coragem, mas essa coragem, essa ousadia, fez muitos amigos e parentes chorarem, seu  esposo ganhou um rosto inchado,  ela ralou-se um pouco, magoou o coração e pesou a consciência.

Ambos erraram, tanto o rapaz quanto minha gerente, mas quem o que para apontar os erros alheios. E se erraram por um lado, por outro a quem souber observar, ensinou valiosa lição...

E essa valiosa lição cabe a cada um descobrir!


A minha lição foi: Liberte-se do Ego!
Certíssimo



Nenhum comentário:

Postar um comentário